Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Thy Symphony - Banda Metal Melódico
 Bibliotecas (Cidade São Paulo)
 Amigos do livro


 
Blog de crisrezendedasilva


Nem mesmo os pássaros vivem sós.

 

É boba a concepção de que pássaros foram feitos apenas para voar, estarem apenas no ar.

Pássaros constroem ninhos. Criam filhos. Tem lá cada um sua rotina. Lidam com o previsível e o imprevisível.

Os pássaros voam para longe, mas voltam.

Amar um pássaro é respeitar suas idas e vindas.

É admirar seu voo.

Apreciar seu canto

 

Sem querer cortar-lhe as asas.

 

Besteira isso de achar impedimentos para o amor

De achar que para o amor dar certo não pode concretizar-se

Que as pessoas envolvidas não podem viver juntas.

 

Deixe-o acontecer.

 

Tolice ficar parado espiando acontecimentos

Quando podes deixar-se envolver por atitudes, sentimentos...

Sentir o vento que colocará tuas asas em movimento.

 

 

 

 

 



Escrito por crisrezendedasilva às 10h37
[] [envie esta mensagem] []



Se o tempo parasse

 

Se o tempo parasse no ápice da excitação

Desalentos não tomariam para si o que foi bom.

 

Se o tempo parasse na pressa do apaixonado

O mundo estaria mais aprumado.

 

Ah se o tempo parasse...

 

Mas não para, conduz novos acontecimentos.

Que venham os bons tempos!

 



Escrito por crisrezendedasilva às 17h26
[] [envie esta mensagem] []



Quem é aquele que de mim se esconde?

Onde está?

Onde está meu diamante...

 

Lírios são flores

Jardins têm cores

Pássaros no ar

 

Onde estás?

Onde estás...

 

 



Escrito por crisrezendedasilva às 17h21
[] [envie esta mensagem] []



FEIRA LIVRE

 

Posso sentir o sabor das cores. Dos aromas à minha volta...

Posso sentir o frescor do dia e a claridade da manhã.

Translúcida, percorro ruas, cruzo esquinas.

Sou fisgada pelos sons.

Dissipa-se a neblina que me envolvia.

Saio de mim, retorno ao mundo,

Com mais alegria.

 

 



Escrito por crisrezendedasilva às 15h18
[] [envie esta mensagem] []



Enfim, Graciliano Ramos.

 

 

Faz dias que venho notando a incompletude, já tentei até denunciar isto ao falar do possível vazio causado pelo consumismo, ao escrever o texto “Tanto se faz por quase nada”.

O causador de tanta notação? “Graciliano Ramos”. Depois que comecei a ler os livros dele, por várias vezes, peguei a caneta e ensaiei uns dizeres aqui, outros dizeres ali. O motivo das tentativas? Fiquei inspirada diante de textos bem escritos, crítica social, frases truncadas e episódios como o que se segue:

 

“Equilibrando-se, segurei as mãos da moça e, andando de costas, cheguei à outra margem. Depois conduzi Luísa. No meio da prancha, com os braços abertos e as mãos nas mãos dela, como se fosse abraçá-la, hesitei, e foi ela que me amparou. Pareceu-me que a minha vida era uma coisa estreita e oscilante, com perigo de um lado, perigo do outro lado, e Luísa junto de mim, a proteger-me. Comprimi-lhe os dedos, toda a minha alma fulgiu para ela num olhar de ternura.”

 

Quem nunca desejou este olhar?

 

Percorri várias páginas escritas por este autor: “Angústia”,  “Vidas Secas”, “Ricardo e outros heróis”, e por último “Caetés”,  de onde saiu os trechos citados neste texto.     

Comecei a ler as obras dele depois de ter ouvido que este é um bom caminho para escritores iniciante.

Não tardei. Corri logo atrás de um exemplar. Talvez, guiada por fantasmas do passado, cai em “Angústia”. Como eu estava precisando dar folga as leituras de Clarice Lispector, soltei um:

 - Não é possível! Beberam da mesma água.  

Quando disse isso pela primeira vez, em alto e bom som, fiquei constrangida porque tal associação não foi bem recebida.

Como as reflexões acalmam os ânimos, depois de um tempo, recebi o retorno:

 - “Angústia é o livro mais intimista dele”.

Concluí que, em partes, eu estava certa.

O que chama atenção nos livros citados acima é a mescla entre bruto e sensível, que aparece no cenário, na caracterização dos personagens, nas falas.

É animador encontrar  nos contos ou romances que ele escreveu  expressões que fazem pensar no presente e questionar a estrutura política e social brasileira ainda vigente; ver o esboço de uma discussão,  atualmente em voga, presente em um livro escrito em 1933. Refiro-me ao trecho a seguir:

 

 “Mas o doutor Liberato se declarou inimigo da eutanásia. Abusou de expressões científicas e alegou a fragilidade dos conhecimentos humanos. Nazaré, que escutara esbrugando o polegar com os dentes, aplicou-lhe, quando ele se calou, razões desconcertadoras. Embrenharam-se numa discussão difícil, e ninguém os pôde acompanhar. Isidoro rabiscou um pedaço de papel, escondeu-o no bolso, e o Vigário, que examinava pensativo a cabeleira revolta do médico, aproveitou uma brecha na polêmica, manifestou-se...”

 

Mais adiante  Isidoro tira o papel que havia guardado no bolso e pergunta a João Valério.

 

- “Que diabo quer dizer eutanásia?”

 

Gostaria de salientar que não defendo discussões mal elaboradas, feitas às pressas – principalmente com assuntos delicados envolvendo a vida, o bem estar e a saúde. Quero com este texto apenas assinalar o quão moderno é a obra de Graciliano Ramos. E, finalmente, dizer que, o ensaio faz pulsar ações e reflexões.



Escrito por crisrezendedasilva às 16h44
[] [envie esta mensagem] []



Tanto se faz por quase nada

Quanto vale ser seduzido por uma cena despretensiosa? Uma cena que não foi armada para chamar a atenção, vender ou induzir alguém a um objetivo específico. Uma cena que aconteceu por si só. Que foi descoberta por você e o arrepiou, inspirou, enlouqueceu. Que surgiu devagarzinho, foi criando status e quando você se deu conta estava preso, perdido, com o olhar fixo e a mente dormente.

  

Tenho prestado atenção nas sobrancelhas. Você já reparou que de tempos para cá as sobrancelhas estão diferentes? A arte de moldá-las está em voga. Busca-se um rosto mais expressivo, destacar o olhar, quem sabe, despertar o interesse de outro alguém.

 

Tenho pensado nas propagandas. Demasiada sedução que até cansa. Outro dia esbarrei com a foto de uma atriz que está com a imagem “superfaturada”, pois vem interpretando uma personagem de muita sensualidade e sucesso na televisão. A minha reação ao vê-la na capa da revista foi soltar um: tanto se faz!

 

Tanto desejo, e um vazio que não acaba.

 

As vitrines estão lotadas, os anúncios gritando beleza e prazer garantido, mas nada parece preencher o vácuo mal localizado. E a cada nova esquina os meus instintos são fisgados... recompor a razão dá um trabalho danado!

 

Resultado: confusão de desejos e de valores.  

 

Sabe de uma coisa, tenho observado o firmamento... sempre assegura que não existe aparência que encubra o verdadeiro encontro.

 



Escrito por crisrezendedasilva às 15h02
[] [envie esta mensagem] []



Crianças desesperadas

E o mundo com tendência

A encaminhá-las ao nada.

 

Neblina dissipando-se,

mais um amanhecer:

Rumores, movimento, poluição.

 

Dia longo

Tempo escasso

para o: curto!

 

      No término da estrada:

      Pele frouxa, olhar apagado.

      Tempo que se foi...

      Sem dar em nada? 

 



Escrito por crisrezendedasilva às 14h38
[] [envie esta mensagem] []



Lembro-me como se fosse hoje o dia que ele trouxe pedras preciosas. Era a segunda vez que o encontrava na rua onde eu morava.

Eu deveria ter uns nove anos e já o tinha visto outras vezes, em outros lugares. Confesso que sempre ficava estremecida. Nestas ocasiões eu estava sozinha ou com alguma amiga, retornando da escola.

Era um período agradável, de descobertas, em que as crianças usufruíam das ruas e dos quintais. Nestes espaços era possível correr, pular, girar, cantar... Televisão? Pouco me prendia. Brincar com os amigos era o grande atrativo.     

Na região onde eu morava só tinha uma ou outra rua asfaltada - a maioria delas era de terra.  Ruas que ficavam medonhas quando ele chegava com sua lâmina, rodas imensas e ronco ensurdecedor, fazendo a terraplanagem e preparando a festa para a molecada. Festa sim, porque, depois que ele ia embora, nos divertíamos com a terra alisada e os tesouros que encontrávamos.

No dia em questão, descobrimos nos amontoados de terra, esquecidos em um canto ou outro, as tais pedras preciosas: eram porosas e brilhantes. Eu e a Ivani, amigas desde muito antes, percebemos logo que poderíamos dar a elas diversas formas. Assim, criamos panelinhas, vasinhos e cumbucas.

Diverti-me construindo os meus brinquedos. Brinquei de artesã e cozinheira. Depois deste dia, durante a minha meninice, só o encontrei mais uma vez na rua de casa.

Conforme fui crescendo, o medo da máquina de ronco ensurdecedor foi diminuindo, assim como foi diminuindo a importância dela nas ruas urbanizadas. Até que, com o tempo, guardei as boas recordações e não estremeci mais ao avistar um trator. 

 

 

 

 



Escrito por crisrezendedasilva às 15h09
[] [envie esta mensagem] []



Mãos sujas de terra

 

Terra mesmo. Dessa que se põe muda de planta ou semente; terra cuidada para a vida desabrochar. Mãos que cultivam jardins, hortas. Quem sabe, vendo húmus e minhocas, tocando o solo fértil e sentindo sede, sede de água, a mesma água que rega as plantas, quem sabe, assim, brotarão rimas e histórias.

São bonitos quintais floridos!

Muitas pessoas gostam, mas poucas sabem cuidar.

É certo que ninguém nasce jardineiro. Quer aprender o ofício? Pense primeiro nas raízes fincadas na terra e desfocada dos olhares, como tratá-las?

Cada raiz tem o seu próprio gosto, é preciso estudá-la.

Para tanto, deixe-se apaixonar por uma plantinha, conheça-a e ela também conhecerá você.

Não se assuste se por ventura ouvi-la dizer:

Ontem a sua mão não estava tão pesada.

 

Ilustrado pela Isabella

 

 

 

 

 



Escrito por crisrezendedasilva às 20h50
[] [envie esta mensagem] []



Cabelinhos dourados

Olhar radiante

Sorriso nos lábios

 

Com estas palavras descrevo a minha filha Isabella. Mas existem outros tipos e cores de cabelos, outros olhares, outros lábios: outros nomes nesta história.

Esta sou eu

Desenhada pelo Luan

O Luan é um garotinho lá da escola da Isabella. Isabella, Luan e mais 23 crianças me presentearam com um lindo cartão, feito por eles mesmos, e com um fino acabamento dado pelas professoras Márcia e Grace.

 

Em meio a tantos desenhos: coelho, flores, borboletas, pessoas, balões, corações e círculos; eu apareço.

Mas poderia ser a mãe da Ariane, do Gustavo, da Maria Clara, do Isaac, da Vitória, do Felipe... Qualquer uma, ali naquele céu, brilharia.   

 

Adorei o presente.

Fui presenteada porque aceitei o convite das professaras, feito aos pais dos alunos, para irem à escola e contar história, fazer artesanato, etc.

Li três poesias e as crianças, sob orientação da professora Márcia, aprenderam a cantá-las. Uma das poesias era: “A casa” de Vinícius de Moraes.

Também li um versinho que escrevi para elas.  

E elas me fizeram três perguntas

O que é poesia? Você gostava de cantar? Você toca algum tipo de instrumento musical?

Quando lá pelas tantas eu disse que com a poesia podíamos brincar com as palavras, uma das meninas logo falou:

- Mas eu já tenho uma caixa cheia de brinquedos.

- Tem letras e palavras nesta caixa? Perguntei, e com a negativa dela, completei: dá para colocar letras e palavras na sua caixa de brinquedo. É isso mesmo, podem acreditar, dá para colocar poesia na caixa de brinquedo!  

O encontro foi bom. Muito bom! No final ganhei uns trinta abraços de uma só vez. Senti-me importante.

Criança tem dessas coisas: tornam-nos grandes!

 

 



Escrito por crisrezendedasilva às 19h03
[] [envie esta mensagem] []



A moita

 

Paula caminhava com a cabeça nas nuvens quando, não se sabe como, as pernas dela encurtaram justo no momento em que ia pular uma canaleta. Foi parar em uma moita de capim crescida demais para a fotografia de uma grande cidade. Encontro desagradável. Saiu machucada e com uma dor latejante que ditava: não olhe para os lados, não olhe para trás! Em frente, em frente!

Foi em frente, com peito oprimido, começou a respirar com dificuldade, a escassez de oxigênio a deixou desorientada, gritou:

- Porra! O manifesto que assinei não era para evitar o desmatamento da Amazônia?



Escrito por crisrezendedasilva às 11h37
[] [envie esta mensagem] []



O que fazer?

 

Teve uma baita insônia.

Ao começar o dia ficou parada em frente ao guarda-roupa, não sabia o que vestir, pois nada se ajustava ao corpo dela.

Céus, que momentos tortuosos viveu diante de todas aquelas roupas! Nada parecia pertencer a ela.

E ainda tinha outro agravante: o clima não apontava nem para calor nem para frio, estava instável.  

A vontade de deixar tudo de lado fortificou-se ao ouvir a notícia: trânsito congestionado.

Ah, isso não!

Escolheu uma roupa qualquer e desistiu das tarefas programadas para aquele dia. Decidiu caminhar, precisava de um pouco de ar, precisava sentir os braços e as pernas em movimento.

Não conseguiu ajeitar os passos.

Voltou para casa. Estava com fome. Era hora do almoço, então, resolveu pegar a comida que sobrou do jantar e fazer uma gororoba.

Notou que não tinha energia elétrica. Não poderia usar o microondas e não tinha caixa de fósforos para acender o fogão. Dia insano! O que mais poderia acontecer?

Mas não demorou muito para a luzinha do rádio-relógio começar a piscar. Ufa, estava salva!

Pensou em ligar o computador, mas, também pensou em ficar diante da TV assistindo um... filme, talvez!

Ficou parada.      

Desejou pedir anistia deste dia. Desejou mais, desejou ir embora pra Passárgada! Também queria ser amiga do rei. Mas não conhecia o caminho.

Passou o resto do dia questionando-se o que fazer...

 



Escrito por crisrezendedasilva às 23h19
[] [envie esta mensagem] []



 

 

Que dia lindo...

Sol surgindo

Promessas de verão!

 

No calendário chinês 2012 é o ano do dragão...

 

Depois de alguns dias sem vontade de escrever peguei a caneta, mas fiquei um bom tempo apenas rabiscando uma folha.

Percebi que a minha letra está mudando: está ficando mais espaçosa!

 

No rádio começou a tocar “Ready for Love” – da banda Inglesa de Rock “Bad Company”.

Gosto das músicas da banda “Bad Company”

Gosto de escrever

Gosto de dias de verão...

Nessa estação do ano é possível usar vestidos; estão em alta os floridos! Se bem que nunca os considerei em baixa.

Flores e vestidos ou flores nos vestidos, combinam!

 

Estou pensando em outras combinações:

Goiabada com queijo

Café com leite

Arroz com feijão

Há quem diga que rima com ão não é bom!

Mas estou escrevendo em pleno verão

No ano do dragão

E com letras bem espaçosas,

Só para dizer que:

Rima boa é aquela que acerta o coração!

 

Têm dias que a gente ri

Têm dias que a gente chora

Lágrimas podem ser de alegria

E risos nervosos.

 

Opa! Acabei de lembrar outra combinação:

Macarronada com feijão

Vai dizer que você não aprova só porque está preso (a) à tradição?!

 

 

 

 

 

 



Escrito por crisrezendedasilva às 14h06
[] [envie esta mensagem] []



 

Cadê Cacaso?

Hoje tomarei certa liberdade para escrever não como poeta, contista, romancista ou denominação qualquer! Tomarei a liberdade de escrever sem pretensões: venha o que vier!

Escreverei para treinar os meus dedos, pôr em prática meu raciocínio, brigar com a gramática se for preciso!

Escreverei, pois não quero folhas em branco

Se alguém não gostar que se debruce sobre o caderno, que sofra com o seu próprio dedo ardendo com a pressão da esferográfica ou com os múltiplos toques no computador!

Quem não gostar que regurgite: esse ato poderá servir de alimento para alguém.

Grite

Não fique quieto! A escrita está em andamento...

 

Estou escrevendo no contrafluxo da avenida

Para dizer que o prazer da escrita é vida!

É movimento: acerto e desacerto!

Escrevendo depois de um banho tomado

De uma roupa qualquer

Cabelo desajeitado

Dinheiro e documento no bolso

Depois de ter saído de casa:

Ter dado no pé!

 

Escrevendo para denunciar um mundo onde vivemos e nos relacionamos,

Mas não nos vemos não nos olhamos!

 

Escrevendo para curar a minha própria cegueira: pois, enquanto escrevo me observo e isso já é um bom começo!

 

Escrevendo ao acaso

Tentando quem sabe falar de “Cacaso” *

Mas falar o quê?

Que ele foi poeta, letrista, professor, ensaísta?

Que escreveu para “Cecília” **?

Ah, eu poderia, simplesmente, nadar em mar de mineiro,

Mas é preciso ser faceiro

Então, o bom mesmo é deixar de lero-lero e ir direto à questão:

Homem ou mulher quando não dão beijo na boca ficam com a língua solta!

E é pó isso que hoje tomei certa liberdade para dizer:

Não quero saber de prosa!

O que eu quero saber?

Cadê Cacaso?

 

*

  

 

* Antônio Carlos de Brito (Cacaso): Professor Universitário, poeta, letrista e ensaísta.

** Cecília Meireles: poetisa

     

 



Escrito por crisrezendedasilva às 14h48
[] [envie esta mensagem] []



Com Caco sem cacos

 

Era uma vez uma moça que em certa ocasião foi mãe-pássaro. Mãe de uma maritaca chamada Caco. Caco ficou aos cuidados dela depois que, ainda bebê, caiu do ninho. A moça teve que alimentá-lo no bico e preparar um cantinho bem quentinho para ele ficar.

Bem, a moça e a maritaca, tiveram uma relação próxima: o pássaro pegava comida no prato dela, eles ficavam juntos no sofá: ele aconchegado na coberta e ela assistindo TV; Caco gostava de andar nos ombros da moça e de se enroscava nos cabelos dela.   

Ela era sempre avisada: “corte as asas do Caco, caso contrário, ele vai embora”. Mas acontece que, a moça começou a sentir algo estranho, sentia que o seu pássaro tinha que voar.

Certo dia, ela decidiu que não mais cortaria as asas da maritaca. Isso não era justo! Queria vê-la voando. Ora, Caco era um pássaro e pássaro foi feito para voar! Então por que não dar a ele esse prazer?

E ele voou, voou para bem longe, e ela mal pôde vê-lo no céu, de tão rápido que Caco saiu pela janela e partiu. Naquele mesmo instante ela sentiu um forte arrependimento, lembrou-se de outros dizeres: “ele não sabe se defender e poderá cair nas garras de um gavião ou preso em uma gaiola qualquer”.

Ela pensou: ele volta, com certeza voltará! Mas a vida dela estava um caco e resolveu sair para procurá-lo, ai lhe ocorreu à seguinte revelação: ao observar, de longe, a janela do seu apartamento notou que tal janela era minúscula em relação ao emaranhado de coisas: casas, comércios, prédios, ruas; ao redor. Ficou aflita: Como Caco a acharia? Ele nunca tinha visto nada daquilo, não conhecia o mundo fora do apartamento!

Como?

A única coisa que sei é que, desse dia em diante, para a moça, o som das maritacas passou a lembrar Caco...

 

*

 

Como estamos na semana do natal: que o amor, a saúde e a alegria preencham essa data e toda nossa vida! 

 

 

 

 

  



Escrito por crisrezendedasilva às 11h03
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]