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Blog de crisrezendedasilva


Lembro-me como se fosse hoje o dia que ele trouxe pedras preciosas. Era a segunda vez que o encontrava na rua onde eu morava.

Eu deveria ter uns nove anos e já o tinha visto outras vezes, em outros lugares. Confesso que sempre ficava estremecida. Nestas ocasiões eu estava sozinha ou com alguma amiga, retornando da escola.

Era um período agradável, de descobertas, em que as crianças usufruíam das ruas e dos quintais. Nestes espaços era possível correr, pular, girar, cantar... Televisão? Pouco me prendia. Brincar com os amigos era o grande atrativo.     

Na região onde eu morava só tinha uma ou outra rua asfaltada - a maioria delas era de terra.  Ruas que ficavam medonhas quando ele chegava com sua lâmina, rodas imensas e ronco ensurdecedor, fazendo a terraplanagem e preparando a festa para a molecada. Festa sim, porque, depois que ele ia embora, nos divertíamos com a terra alisada e os tesouros que encontrávamos.

No dia em questão, descobrimos nos amontoados de terra, esquecidos em um canto ou outro, as tais pedras preciosas: eram porosas e brilhantes. Eu e a Ivani, amigas desde muito antes, percebemos logo que poderíamos dar a elas diversas formas. Assim, criamos panelinhas, vasinhos e cumbucas.

Diverti-me construindo os meus brinquedos. Brinquei de artesã e cozinheira. Depois deste dia, durante a minha meninice, só o encontrei mais uma vez na rua de casa.

Conforme fui crescendo, o medo da máquina de ronco ensurdecedor foi diminuindo, assim como foi diminuindo a importância dela nas ruas urbanizadas. Até que, com o tempo, guardei as boas recordações e não estremeci mais ao avistar um trator. 

 

 

 

 



Escrito por crisrezendedasilva às 15h09
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