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Blog de crisrezendedasilva


Enfim, Graciliano Ramos.

 

 

Faz dias que venho notando a incompletude, já tentei até denunciar isto ao falar do possível vazio causado pelo consumismo, ao escrever o texto “Tanto se faz por quase nada”.

O causador de tanta notação? “Graciliano Ramos”. Depois que comecei a ler os livros dele, por várias vezes, peguei a caneta e ensaiei uns dizeres aqui, outros dizeres ali. O motivo das tentativas? Fiquei inspirada diante de textos bem escritos, crítica social, frases truncadas e episódios como o que se segue:

 

“Equilibrando-se, segurei as mãos da moça e, andando de costas, cheguei à outra margem. Depois conduzi Luísa. No meio da prancha, com os braços abertos e as mãos nas mãos dela, como se fosse abraçá-la, hesitei, e foi ela que me amparou. Pareceu-me que a minha vida era uma coisa estreita e oscilante, com perigo de um lado, perigo do outro lado, e Luísa junto de mim, a proteger-me. Comprimi-lhe os dedos, toda a minha alma fulgiu para ela num olhar de ternura.”

 

Quem nunca desejou este olhar?

 

Percorri várias páginas escritas por este autor: “Angústia”,  “Vidas Secas”, “Ricardo e outros heróis”, e por último “Caetés”,  de onde saiu os trechos citados neste texto.     

Comecei a ler as obras dele depois de ter ouvido que este é um bom caminho para escritores iniciante.

Não tardei. Corri logo atrás de um exemplar. Talvez, guiada por fantasmas do passado, cai em “Angústia”. Como eu estava precisando dar folga as leituras de Clarice Lispector, soltei um:

 - Não é possível! Beberam da mesma água.  

Quando disse isso pela primeira vez, em alto e bom som, fiquei constrangida porque tal associação não foi bem recebida.

Como as reflexões acalmam os ânimos, depois de um tempo, recebi o retorno:

 - “Angústia é o livro mais intimista dele”.

Concluí que, em partes, eu estava certa.

O que chama atenção nos livros citados acima é a mescla entre bruto e sensível, que aparece no cenário, na caracterização dos personagens, nas falas.

É animador encontrar  nos contos ou romances que ele escreveu  expressões que fazem pensar no presente e questionar a estrutura política e social brasileira ainda vigente; ver o esboço de uma discussão,  atualmente em voga, presente em um livro escrito em 1933. Refiro-me ao trecho a seguir:

 

 “Mas o doutor Liberato se declarou inimigo da eutanásia. Abusou de expressões científicas e alegou a fragilidade dos conhecimentos humanos. Nazaré, que escutara esbrugando o polegar com os dentes, aplicou-lhe, quando ele se calou, razões desconcertadoras. Embrenharam-se numa discussão difícil, e ninguém os pôde acompanhar. Isidoro rabiscou um pedaço de papel, escondeu-o no bolso, e o Vigário, que examinava pensativo a cabeleira revolta do médico, aproveitou uma brecha na polêmica, manifestou-se...”

 

Mais adiante  Isidoro tira o papel que havia guardado no bolso e pergunta a João Valério.

 

- “Que diabo quer dizer eutanásia?”

 

Gostaria de salientar que não defendo discussões mal elaboradas, feitas às pressas – principalmente com assuntos delicados envolvendo a vida, o bem estar e a saúde. Quero com este texto apenas assinalar o quão moderno é a obra de Graciliano Ramos. E, finalmente, dizer que, o ensaio faz pulsar ações e reflexões.



Escrito por crisrezendedasilva às 16h44
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